sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sentimentos em Flor



Vivo com uma intensidade de sentimentos
que me maltrata, me dilacera, me espanta

E não quero vida menor.
Ainda bem que já é primavera.

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mudança de Tempo

Mudança de tempos, mudança de tempo, olhei pela janela e me lembrei de Goddard, melhor, da abertura de "Salve-se quem Puder - A Vida".

Aí vai o registro, acompanhado de um trecho de "Mistério", música que o amado Joaquim Assis fez para a Trilha de Leio porque Quero

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Estar vivos


Hoje, em uma sala de espera de um consultório médico em Blumenau SC, um casal e um homem conversavam em voz alta, assuntos desagradáveis. Tentei abstrair daquilo, e distrair a pessoa a quem acompanhava. Até que eles ficaram em silêncio.

Olhamos para a tv vagamente, admirando a iniciativa de uma mãe que soube apoiar o filho com necessidades especiais. E antes que eu respondesse a uma pergunta de quem estava comigo, a senhora do casal se antecipou e respondeu.

Daí o casal começou a descrever vivamente sua própria vida em voz alta e à distância. Comentaram o quanto queriam netos, mas de como o filho estava certo em se acertar primeiro, após duas faculdades e pós. Filho deles que estudou, ele trabalhador do campo, ela que começou como servente, foi estudar e chegou a enfermeira. E como estava sendo difícil para a mulher superar a descoberta de que o pai biológico do qual cuidara com carinho não era seu pai verdadeiro, como a irmã revelara pouco antes dele morrer. Nesse embalo, ele já estava de pé, falando. E falaram muito.

A essas alturas, minha opinião sobre eles já havia mudado. Nem somente pela história que contavam. Mas porque a contavam de uma maneira tão apaixonada, o homem com uma admiração tão grande por sua mulher.

Os olhos claros dele olhavam para ela derramando afeto e reconhecimento, enquanto a boca dizia o quanto ela era querida por todos que trabalharam com ela, agora já aposentada.

Ele foi chamado para a consulta e ela nos pediu desculpas pois devia acompanhá-lo. Voltaram e ao invés de irem embora, sentaram ao nosso lado, contando detalhes familiares nem tão felizes. Mas eles, eles esbanjavam superação e vitalidade. Nos fizeram esquecer nossos problemas por algum tempo. Foi bonito e bom.

Eles estavam para a vida.

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domingo, 4 de outubro de 2009

Gracias a la Mercedes

Gracias a la vida
que me ha dado tanto
me dió la musica de Mercedes Sosa
para calentar el corazón
y percibir que nadie está solo

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vôos

Primeiro o silêncio, depois tentei driblar o lugar comum de bater na mesma tecla de todos, e esse esforço só valeu para pensar um pouco mais sobre o que tanto nos mobiliza em relação àquele vôo 447. São perguntas que voltam à cabeça, para além da causa da queda.

Como pôde ter desaparecido?
A primeira notícia criou um estarrecimento. Então ainda é possível desaparecer hoje em dia? Creio que em tempos de gps, internet, email, radares, satélites, controles, celulares, caixas pretas, nosso imaginário sutilmente vai se modificando e não conseguimos imaginar que uma coisa grande como um avião possa desaparecer assim, puf! Cresci quando o mistério sobre o Triângulo das Bermudas fazia parte do tal imaginário. Havia lugares assim no mundo. De repente, alguém/algo desaparecia lá. Naquela época também se falava de Atlântida. Os únicos desaparecidos de que nunca ouvi falar na infância foram os desaparecidos políticos. Estes só ocuparam meu bendito imaginário no fim da adolescência. Mas essa já é outra história.
Será que o susto vem de pensar como tanta tecnologia sai do controle?

Como pode tantos morrerem de uma vez só, sem defesa?
Sim, isso choca. Mas não pode chocar menos que os flagelados do Piauí, Maranhão, Santa Catarina, e outros acidentados de norte a sul do Brasil e do mundo.
Pelas filosofias espiritualistas, se diz que fizeram a passagem, e ninguém pode afirmar que não seja. E neste caso, outras perguntas surgem, no próprio seio das filosofias. E então somente Sócrates para dar conta: sei que nada sei. Mas tenho esperança.

Dar de cara com o efêmero da vida?
Esse é um contínuo processo de lembrança e esquecimento, e sem essa dualidade acho que ainda não conseguimos viver, amar, sonhar, construir. O "até já" é fundamental para nossa existência. O problema é quando esquecemos tanto do efêmero que nos damos ao luxo de sentir tédio ou perder este sagrado tempo de existência com futilidades. Ou seja, a toda hora, uns mais do que outros. É muito difícil ser tudo o que se pode e quer ser em uma existência.

Sinto que um fio sutil liga a maioria dos passageiros a nossos sonhos e expectativas: a noção de que a maior parte deles certamente estava em um momento especial da vida. Antes mesmo de conhecermos algumas das histórias, dava a sensação de que estariam a ponto de alcançar uma plenitude que estaria esperando do outro lado do Atlântico: férias, prêmios, estudos, pessoas queridas, reconhecimento, a volta para casa, enfim, a felicidade. Eles estavam quase.
E sabemos o que é isso. Queremos o gol. A vibração da torcida. E aí encontramos o decantado silêncio do Maracanã em 1950. Só que muito pior. Porque desse jogo não temos as regras básicas para saber quando se dá o apito do fim da partida.

Que as famílias sentem dor, é óbvio.
Que para os que não estão diretamente ligados à tragédia, essa dor se soma àquelas das outras diversas tragédias, e que a saída é tentarmos nos solidarizar dentro do possível, é óbvio também.

Resta torcer, dentro da nossa humilde ignorância, para que "do lado de lá" não exista a dor, e que de alguma forma desconhecida para nós, se encontre afinal a felicidade para todos os "passageiros", seja qual for o meio de "transporte " utilizado. Que eles sigam adiante em um caminho de luz, cada um tomado pela mão por seu anjo da guarda.
E num sonho, quem sabe seja possível, um dia, no decorrer da nova viagem, mandar um "cartão postal" dizendo apenas "Está tudo bem, saudades, beijos". Daqueles cartões que aliviam a gente mesmo com uma dor tranquila de quem prefere saber que o outro está bem e quem sabe, ainda se reencontra nas dobras do tempo.

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