terça-feira, 30 de agosto de 2011

Descartáveis



Alguém cresceu. O espaço apertou. O tempo faltou. O carinho dançou. O bicho gastou. A pelúcia sujou. O tecido rasgou. O lixeiro levou.

Alguém encontrou. O carinho falou. O espaço ajeitou. O tempo arranjou. O tecido coseu. A pelúcia lavou. A criança ganhou. O coração relaxou.

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quarta-feira, 3 de março de 2010

Ionete


Dela não tenho fotos. Mas guardo o ouvido atento, a provocação aguda e inteligente, oportuna, embora nem sempre desejada.
Guardo histórias, e o carinho, expresso nos detalhes. Um suco de manga feito pela Simone, no meio da tarde - Toma, está fresquinho, ela acabou de trazer - um café e as inúmeras cafeteiras, um financier no pires de porcelana trabalhada. Os muitos livros empilhados na prateleira de vidro, a cortina esvoaçante, os quadros intrigantes, os tapetes queridos. A elegância e o cuidado. A irreverência, o humor e a enorme cultura, que aparecia discreta entre uma conversa e outra, sempre cheia de juventude. E a generosidade que ia além de uma qualidade, era uma atmosfera. Tudo simples. Simples, não simplório.

Guardo também o abraço absurdo que não dei, porque era absurdo. Queria me livrar desse abraço. Entregar ele carinhosamente para alguém. Acho que é isso que tento fazer aqui. Mas talvez não consiga, porque aí, talvez fique somente a falta.







http://www.muitomaisreceitas.com.br/receitas/bebidas/suco_de_manga.html

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