Sonho
O motorista tentava consertar o veículo a tempo de passarmos por ela, antes que o volume d'água a rompesse. Era muita água, limpa, azulada e caudalosa, cada vez mais. percebia que não a atravessaríamos.
Já não tinha mala. Em pé, no meio da estrada de barro, sem saber o que fazer, percebia que um lado ou outro, não deveria ter tanta diferença.
Olhando a porta do que teria sido uma casa, um casal magro e velhinho, a mulher na frente, olhos puxados e as mãos, as mãos... longas e perdidas. Atrás dela, o homem, cabeça branca e olhar infantil dentro do casaco puído.
Chego até eles sem saber o que fazer. Só o que me ocorre é abraçar. Um abraço forte, onde me encontro. Onde nos encontramos.
E logo vem outros casais, outras pessoas.
Abraço muita gente.
É só o que se pode fazer naquele imediato momento antes do futuro.
Acordo.
Trago comigo todos os abraços.
Deixo com eles todos os abraços.

