Presente Raro
Amanhã vai ao ar o último capítulo de uma obra a qual acompanhei a construção.
Vi meu amor pedreiro - artífice - marceneiro - mestre - maestro, compor tijolo a tijolo, um castelo no ar.
Não fez sozinho, para isso é preciso ser parte de uma equipe, seja qual for o lugar que se ocupe nela, que aliás era preciosa. Tinha a incrível Paula Richard, a Irene, o Eduardo, a Consuelo, e claro, o Marcílio, que era o arquiteto.
O lugar do meu maestro era o da dedicação incansável, da observação arguta, do polimento delicado de quem conhece o barro de seu tijolo: a carne e a alma humanas...
Emocionou, brincou, ironizou, criticou, fez odiar e amar.
Sempre quieto no seu canto, tirava sonhos do forno e junto com todos os criadores, oferecia um banquete, que ele também foi cozinheiro.
Trabalho árduo, perseverante, exposto e oculto ao mesmo tempo. Coisas de artista que sabe que arte é em qualquer lugar e a qualquer hora, dependendo da maneira como se agarra a coisa.
É fácil amar vendo a exigência, a afinação, a irreverência de mãos dadas com o respeito.
E mais fácil ainda pra quem souber que é do Joaquim Assis que estou falando.
Ele lavou a alma de muita gente nesse Ribeirão do Tempo.
Assim é Joaquim, o homem que faz do computador um instrumento musical do qual brotam palavras que viram ações, que viram imagens, que viram sonhos, que viram canções, que viram memórias, que enriquecem gente.
Joaquim Assim
é o amor que eu ganhei
presente raro, inexistente
cavalo dado, que olho contente
(versinho antigo pra amor sempre renovado)
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