O Tio no Rio, na Cidade de Deus
Pois é, e lá se foi o Tio embora. Valeu a visita, afinal.
Soube disso vendo e ouvindo os meninos da CDD falando sobre a visita.
Me lembrei de outros meninos falando, há alguns anos atrás, ao exibir seu vídeo na Mostra do Vídeo Clube do Futuro. Eles também eram da Cidade de Deus e tinham feito oficina com o pessoal do Cinemaneiro.
No vídeo, tentavam mostrar que na comunidade onde moravam havia muito mais que a violência estampada no filme que rodou o mundo, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Katia Lund. Eles não queriam ser vistos apenas sob esse estigma.
O tempo passou, muita coisa aconteceu. Ontem passei por dentro da CDD. E essa frase já não é tema de conversa, nem causa estranheza para quem não é de lá.
É bom saber que indo lá, o Tio, a Tia e as meninas, colaboram para uma nova e forte auto-imagem para todas as crianças e jovens de lá. Um motivo a mais para estudarem e batalharem para fazer bem o que escolherem na vida e serem reconhecidos por isso.
É também interessante, o resumo por uma senhora moradora: ele também é um exemplo de superação...
Mas o maior prazer foi ver a naturalidade de nossos meninos agindo conversando com e sobre o Tio. Uma relação quase impensável alguns anos atrás. Relação de inclusão, onde os excluídos são o preconceito e a subserviência.
Só resta um alerta: se preparem, porque o que há de ter de gente do asfalto querendo se mudar pras comunidades...
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